14.05.2018

Quadril: o elemento chave do cavaleiro

Papel fundamental na equitação e grande conexão com o cavalo. Saiba como usar o movimento do quadril corretamente

Por Kevin Staut, cavaleiro francês campeão olímpico por equipes (2016) e vice campeão do mundo por equipes (2010, 2014) 

 

Um pouco de Anatomia

Para compreender a função do quadril na sela é preciso pensar, primeiro, na anatomia do corpo humano. Os ossos da bacia - sacro, ílio, púbis, ísquio - fazem a ligação entre as pernas e a coluna vertebral. Para garantir muitos anos praticando hipismo, é importante cuidar destes músculos, eliminar eventuais contraturas com a ajuda de um terapeuta e fazer alongamentos regulares. 

O quadril pode se movimentar em dois eixos. Ele pode balançar para frente e para trás, ou seja, falamos aqui da anteversão e retroversão da bacia. Na anteversão, a base da bacia avança para trás e as costas parecem mais retas. Mas o quadril também pode se movimentar para cima e para baixo. Para entender esse movimento, sente em uma cadeira e se apoie alternativamente, sobre o ísquio direito e o esquerdo, isto é, apoie-se sobre um lado do assento e depois do outro. Você sentirá seu quadril subir e descer ligeiramente. Faça o mesmo exercício sobre a sela e você constatará que, ao se apoiar sobre um ísquio, a sua perna (do mesmo lado) terá uma tendência a descer.

 
 

Para evitar problemas nas costas, o cavaleiro deve tentar conservar a mobilidade de seu quadril. Existem várias opções de atividades para isso, como o pilates. Também é essencial se alongar e fazer movimentos que estimulem o movimento do quadril no dia a dia, como o “exercício do gato” (de quatro, posicione suas costas de modo arredondado e depois de modo côncavo)

 

Conecte-se com seu cavalo

O quadril é o ponto de contato do assento e é o centro de gravidade do cavaleiro. Portanto, um elemento indispensável para o equilíbrio na sela e, ao mesmo tempo, possibilita a prática de uma equitação mais refinada, com ajudas discretas e suaves. Um quadril que segue os movimentos do cavalo garante uma ligação e conexão perfeita com a sua montaria. 

A mobilidade da bacia também favorece a independência das ajudas. De fato, quando o quadril funciona suavemente, sem bloqueios ou dores, ele pode se movimentar - avançar, recuar, descer - sem que haja uma incidência na parte superior do corpo do cavaleiro, inclusive em seus ombros. A cavalo, o cavaleiro deve poder “desarticular” seu corpo. Por exemplo, a anteversão da bacia para frente empurra naturalmente os ombros do cavaleiro para frente, mas se ele decide, pode, trabalhando seu quadril, manter seus ombros no lugar, sendo que o quadril se movimenta em anteversão.

  

Acompanhe as andaduras

No passo e no trote, que são duas andaduras simétricas, o cavaleiro acompanha o cavalo principalmente por movimentos de anteversão e de retroversão da bacia. O cavalo tende a ficar reto e se propulsiona simetricamente e o cavaleiro está com um assento retilíneo.

Já no galope, o cavaleiro trabalha seu assento de um modo mais complexo, acompanhando uma andadura assimétrica. Ele acompanha o movimento de balanço do galope graças à anteversão e à retroversão de sua bacia. Mas isso não é tudo. Lembre-se de que, no galope, a perna interna avança enquanto a perna externa recua em posição de perna isolada. É justamente a mobilidade da bacia que vai permitir esse posicionamento correto das pernas. Ao galope na mão esquerda, por exemplo, o cavaleiro irá se apoiar em seu ísquio esquerdo, ele vai ancorá-lo na sela. Dessa forma, quando a sua perna esquerda descer, e ele colocar mais peso no estribo esquerdo, vai realizar o papel da perna de ação. Do modo inverso, apoiando no ísquio direito, o cavaleiro utilizará a sua perna direita como perna de posição.

 
 
 

Fonte: Cheval Magazine