02.04.2018

O hipismo depois dos 40

Conheça os desafios de quem começou a montar agora, como se preparar melhor e a história de alguns praticantes

Uma das peculiaridades que deixam o hipismo ainda mais incrível é que homens e mulheres de todas as idades podem competir juntos. Um exemplo disso foi o britânico Nick Skelton, que levou o ouro na Rio 2016, aos 58 anos. Ou o fato de o segundo atleta mais velho de todos os tempos a competir em Olimpíadas também ser do hipismo, o austríaco Arthur Von Pongracz, que competiu aos 72 anos, em Berlim 1936. Mas não precisamos ir tão longe para encontrar casos de praticantes com mais de 40 anos.

Na Escola Chevaux e em muitas outras hípicas, não param de chegar interessados com mais de 40 anos que querem começar a montar, seja para aprender algo novo, realizar um sonho ou acompanhar as aulas do filho. Esta é a justificativa de Delfim Loureiro, que reencontrou o esporte da sua infância e adolescência aos 55 anos. “Eu montava no interior do Rio Grande do Sul e no colégio militar, hoje meu maior desafio é o aprimoramento das técnicas de equitação para o Salto. Mas é uma atividade que trabalha o lado físico, da saúde, da confiança e social. Eu estou revivendo lembranças do meu passado, fazendo uma atividade com meu filho e praticando um esporte excepcional”. E brinca: "Pretendo praticar por mais 55 anos”. 

 
 

Delfim e o filho, Samuel, durante o Open House da Escola Chevaux BCC

 

Além dos casos de reencontro com o esporte, há quem já chega mais velho. Como Pascale Dumazedier, que começou a montar com 48 anos e hoje, aos 57, já comprou um cavalo e é apaixonada pelo hipismo por causa do contato único com o animal que o esporte proporciona. "A maior dificuldade no início não foi física. Era o medo e a insegurança. Porque é um animal grande com o qual você não está acostumado".

Para Pascale, além de ser perseverante e ir às aulas regularmente, o que faz toda a diferença é encontrar um professor que passe confiança: “O instrutor tem que ter um método e passar segurança para o aluno iniciante". 

O professor da Escola Chevaux TAO David Lemes afirma que "Normalmente depois da primeira aula ninguém quer parar mais. A gente sobe sempre um degrau de cada vez: se não tiver confiança para avançar em um exercício, a gente volta ao anterior até poder evoluir com segurança”. E quando os objetivos são alcançados, não são só os alunos que ficam felizes.

 
 

Para Pascale, no início da prática do hipismo é preciso perseverança, montar regularmente e um professor que passe confiança

 

Nem sempre o progresso vem naturalmente. Micheline Lucindo começou a sentir falta de mais atenção para o público adulto iniciante ao ter dificuldade em evoluir no esporte, aos 42 anos, principalmente por questões físicas. “Eu entrei nas aulas para acompanhar minha filha, mas tive dificuldade de aprender por não ter o mesmo rigor físico do resto da turma”. Para continuar no esporte e superar também as crises de dor nas costas, Micheline mudou seu estilo de vida, procurando um fisioterapeuta e um treinamento de fortalecimento muscular com um personal trainer. 

Para a educadora física, Larisse Gomes, a escolha de Micheline não podia ter sido melhor. “Na verdade, é a partir dos 30 anos que começamos a passar por mudanças mais significativas no nosso corpo, perdendo força e capacidade de ganhar massa muscular, o que gera perda de algumas funcionalidades, como ter equilíbrio. Quem começa a montar depois dos 40 provavelmente vai ter este desafio, além de ter aquela ‘dor pós-treino’ no início, já que o corpo não está acostumado àquele estímulo”, explica Larisse. 

Vale lembrar que, além de muitos benefícios psicológicos, seja para a saúde do corpo ou interesse por cavalos, a equitação é um exercício muito completo, porque estimula vários grupos musculares. Mas, por trabalhar bastante os músculos da região lombar, abdômen e cintura pélvica, a educadora física também sugere um complemento ao hipismo com fortalecimento muscular: "Pode fazer funcional, que é mais dinâmico, musculação, que é o mais acessível, ou pilates, que também vai trabalhar o equilíbrio. Atividades como corrida e natação vão ajudar com o condicionamento físico, mas não na questão do desempenho motor”. 

Ou seja, não tem idade para começar a aprender com os cavalos e se apaixonar por esse universo. Temos certeza que, como o professor David e o aluno Delfim já falaram, quem começar não vai parar e vai se envolver de forma prazerosa e gratificante. E o nosso convite final fica por conta da praticante Micheline: “É um desafio, mas depois você vê que pode. É uma sensação de liberdade que empodera. Você sente que é capaz e passa a ver o mundo ao seu redor de outra forma, principalmente porque você aprende muito com os cavalos e a convivência com estes animais”. 

 

Já quer começar a montar? Agende a sua aula experimental na Escola Chevaux e, se sobrou alguma dúvida, entre em contato com a gente por apoio@chevaux.com.