02.02.2018

Como superar um trauma ou o medo de cavalos

Saiba como vencer a desconfiança e viver o que há de melhor no universo equestre

"Um homem entrou na frente do cavalo. Eu não cai, mas sem dúvida foi o início de um trauma”. 

A menina de dez anos que sempre queria escapar dos pais para montar e podia passar horas cavalgando, só voltaria a montar 27 anos mais tarde. Depois do dia em que o cavalo disparou e ela perdeu as rédeas para tentar controlá-lo, todas as vezes que tentou montar começava a chorar e sentia pânico. “Fui fazer terapia por outras questões e acabei percebendo que isso gerou um bloqueio em outras áreas da minha vida. Era como um sentimento de incapacidade, um medo de que eu perdesse o controle da situação. Por isso, por exemplo, nunca quis dirigir”. 

Por que isso acontece? Segundo a psicóloga que atua com equoterapia, Ellen Santos, “o trauma é uma situação que nos embaraça emocional e psicologicamente. A situação nos deixa triste ou em estado de alerta, e nos dá medo de que um evento traumático se repita". Mas, desde já, vale ressaltar a outra consideração da profissional: todo trauma pode ser resolvido. E há várias formas de superá-lo. 

Com os cavalos, que são animais que atraem pela beleza, mas podem intimidar pelo grande porte, é comum que as pessoas sintam medo de montar, sem necessariamente ter passado por um trauma. Para Ellen, “o medo é a sensação de temer alguma situação que vemos como extremamente ameaçadora. As pessoas tem medo do desconhecido, por nunca terem tido contato com os cavalos, ou por já terem ouvido histórias de quedas e casos em que os cavaleiros se machucaram”. 

O medo também pode ser superado. Concordando com a psicóloga, o instrutor da Escola Chevaux, Alexandre Joffily, conta que é comum os alunos terem um certo receio nas primeiras aulas, mas que a superação desse medo acontece com uma aproximação gradual e um processo para ganhar confiança. “A pessoa tem que tomar uma decisão: de que ela quer superar o medo. Quando ela estiver disposta a isso por conta própria, entra o meu trabalho. Ela deve encontrar um instrutor e um cavalo que passem segurança e nós fazemos uma série de exercícios, como abraçar o animal, deitar na garupa, o “relojinho”, em que a pessoa deve permanecer sentada na sela e girar 360º. Tudo isso faz com que, aos poucos, o aluno se sinta seguro”, explica o instrutor.

 

Um bom exercício para ganhar confiança é tentar entrelaçar as mãos, abraçando o pescoço do cavalo 

Com os traumas, que normalmente vêm das quedas, o processo é bem parecido. Segundo Alexandre, o procedimento quando um aluno cai é verificar se ele está bem e, se estiver, colocá-lo de volta no cavalo, para que reconquiste a confiança no animal no mesmo momento. “As quedas fazem parte do nosso esporte. Pode acontecer com qualquer um, inclusive comigo. Mas é importante a pessoa saber que quanto mais ela treinar e se desenvolver no hipismo, menos risco de queda ela terá, porque vai desenvolver equilíbrio, força na perna, vai passar a prever melhor as reações do cavalo”. 

Quando o medo passa e os traumas vão embora, ai sim, é hora de aproveitar e desfrutar de todos os benefícios do esporte e da convivência com os cavalos (que são muitos). Segundo a psicóloga Ellen Santos, quando um trauma é superado “o paciente se lembra do ocorrido mas consegue fazer uma leitura racional das possibilidades para não ocorrer novamente. Geralmente, a pessoa se mostra menos temerosa e mais tranquila para lidar com a situação”.  

No ano passado, a menina, que sofreu o trauma com 10 anos, montou. Aos 37, Alecsandra Bastos já havia trabalhado seus traumas na terapia, e teve a oportunidade de montar com pessoas que lhe passavam confiança. ”Fiz uma cavalgada de 8km e galopei. O sentimento foi maravilhoso, como se antes tivesse alguma proibição e, depois, eu estivesse livre. Eu só pensava: ‘agora eu posso’”. 

Com planos de começar as aulas de equitação em 2018, Alecsandra finalmente voltou a fazer parte da nossa grande comunidade equestre. Se você ainda não é, devido a um trauma ou medo, vem conhecer a Escola Chevaux, leia nosso blog e entre em contato com a gente pelo apoio@chevaux.com.br para saber mais sobre o hipismo. E não se preocupe, o maior risco é de se apaixonar e não querer mais largar. Até a próxima!