14.11.2016

Cavaleiro da esperança está em Brasília e vai ao Congresso Nacional amanhã

Gaúcho percorreu cerca de 2700km a cavalo e participou de prova de Enduro durante a jornada

A partir do dia 5 de agosto, o perfil de Beto Utzig nas redes sociais mudou bastante. Ao longo dos últimos três meses, as postagens diárias se tornaram fotos em diversas cidades do país, com relatos de cada uma das experiências que ele e suas duas montarias têm vivido, os pousos negados e falta de acostamento, como também as ajudas bem-vindas, almoços improvisados e boas pessoas que cruzaram seu caminho. É assim que o zootecnista está concluindo os 2700km da sua jornada.

O cavaleiro solitário leva a voz de milhares de pessoas, desde São Luiz de Gonzaga - RS, até Brasília - DF, onde será recebido amanhã (15/11/2016) pela bancada gaúcha, acampará em frente ao Congresso Nacional e não sairá “enquanto não tivermos os projetos e reivindicações atendidas”. Tudo em busca de melhorias no sistema de saúde regional e nacional, em nome do hospital de São Luiz de Gonzaga, e acreditando que, se cada um der um pouco de si, é possível trazer mudanças positivas para o mundo.

Uma das aventuras que essa jornada proporcionou foi a participação em uma prova de Enduro. Quando chegou ao Paraná, Beto conseguiu abrigo na propriedade de Claudiane Pasquali, Diretora de Paraequestre da FPrH, que, além de uma ótima anfitriã, ainda levou o gaúcho para conhecer e participar da sua primeira prova de Enduro.

Foi a III Etapa do Campeonato Paranaense de Enduro e Paraenduro, que aconteceu no dia 15 de outubro, na Cabanha Rio Bonito, em Ponta Grossa - PR. Apesar de 20km ser pouco para o cavaleiro da esperança, que percorre de 30 a 35km por dia em sua jornada, ele garante que gostou e pretende voltar ao esporte: “gostei demais de participar. Achei o ambiente muito acolhedor, muito saudável e familiar. Foi um dia prazeroso e, sem dúvida, me engrandeci demais pelas pessoas que conheci e tive contato aqui”.

(Foto: Ralf Andreas)

Beto Utzig e Bugra Linda na III Etapa do Campeonato Paranaense

Além do ambiente acolhedor e das regras do esporte, o Paraenduro também chamou atenção de Beto, que pretende levar a modalidade para o Rio Grande do Sul, com a ajuda dos grandes mobilizadores do fomento do esporte, Claudiane Pasquali e Eros Spartalis. “No nosso estado também temos crianças e pessoas com deficiência, mas não temos isso lá. E hoje vi a alegria dessas pessoas e o ganho que elas têm usando o cavalo como meio de terapia”, contou.

A jornada do Cavaleiro da Esperança está chegando ao fim e amanhã será o momento de negociar todas as reivindicações que levaram Beto à essa jornada. Os três grandes objetivos da cavalgada são: uma negociação e financiamento do BNDES para que o Hospital de São Luiz Gonzaga consiga quitar um passivo de 12 milhões que se acumula com juros há 20 anos; uma modificação no SUS, para que o sistema tenha suas tabelas reajustadas anualmente, e saia da situação atual, em que os custos reais com uma pessoa internada são muito maiores do que o programa cobre; e também chamar atenção dos governos para que as verbas de saúde sejam repassadas e passem a entrar no orçamento dos hospitais sem grande atraso.

“A gente quer mobilizar o povo e deixar a mensagem de que se a gente se unir, cada um der um pouco, nós podemos transformar o mundo em um mundo melhor. O que eu pensei que podia dar era o meu tempo, levar minha palavra e essa causa por onde eu passar, e o cavalo, porque é uma forma de dar visibilidade para nossa luta” – Beto Utzig