25.08.2016

5 perguntas para Stephan Barcha

Representante do Brasil na Rio 2016, o cavaleiro conta um pouco sobre a experiência olímpica e as expectativas para a clínica que irá ministrar ao lado de Nelson Pessoa em Campinas

Como foi participar de uma Olimpíada e representar o Brasil em casa? Como você avalia a sua participação nos Jogos Rio 2016?
Foi um sonho realizado. Eu acho que para qualquer cavaleiro que treinou a vida inteira, batalhou e correu tanto atrás, estar na Olimpíada é uma coisa muito especial, porque é o maior evento esportivo do mundo. E eu ainda tive a benção de ser em casa, na minha cidade. Quando eu entrava na arena, eu sentia uma energia que eu nunca tinha sentido nem parecido na minha carreira. 

E acho que a minha participação com o Land Peter foi boa. A gente tinha um time forte, muita expectativa de medalha e o primeiro dia foi espetacular. No dia seguinte aconteceu uma fatalidade, mas eu tentei ser útil para o meu time. Mas eu vejo um saldo positivo, não só para mim, mas para o hipismo brasileiro como um todo. Meu cavalo nasceu aqui, foi para Europa, onde melhorou fisicamente, e tecnicamente mostramos que a criação nacional tem condições de brigar e estar nos melhores concursos do mundo.

 

Com toda a repercussão que o caso da sua eliminação recebeu, o regulamento do salto recebeu uma atenção grande. Qual é a importância de ter um regulamento e das pessoas terem conhecimento de que no hipismo se tem preocupação com o bem-estar do cavalo?

Eu acho que o regulamento é válido, ele preserva o animal, mas ele é muito rígido e precisa ser revisto em alguns aspectos, precisa ter umas questões um pouco mais subjetivas. O machucado do Land Peter nas Olimpíadas tinha menos de 2 centímetros, foi uma fatalidade, uma coisa que de jeito nenhum eu queria ter feito. E foi muito falado, entre juízes, veterinários e cavaleiros, que o meu cavalo tinha totais condições de continuar.

E o que a gente passa e lembra sempre é que nós cuidamos muito melhor dos nossos cavalos do que de nós mesmos. Foi muito difícil não entrar naquela segunda volta da Olimpíada para ajudar meus companheiros, mas assim é a vida. Assim é o esporte. É um dia após o outro.

 

Sobre as Clínicas que você ministra com o Nelson Pessoa, o Neco, como elas acontecem e o que as pessoas costumam ganhar com a participação nesses eventos?  

O Neco dispensa comentários e apresentações, né? Eu trabalho com ele há quase quatro anos, então eu conheço ele muito bem. Já fiz clínicas dele como aluno e hoje nós fazemos juntos. E são as melhores clínicas que eu já fiz na vida.

A nossa Clínica segue um modelo sequencial em que, no primeiro dia, as correções são em relação à postura, material e equipamento; no segundo dia a gente fala da parte técnica, moral do cavaleiro e do cavalo; depois falamos do percurso, onde você consegue agregar tudo que você treinou nos dias anteriores. E em uma Clínica dessa o que você pode ter certeza é que o conjunto vai sair melhor e com muito aprendizado. E a gente fica muito satisfeito de ver que os conhecimentos que a gente passa para os cavaleiros dão resultados para eles nos concursos.


Stephan Barcha e Nelson Pessoa (Foto: mrt.ma)

E a Clínica da semana que vem, que acontece de 29 de agosto a 2 de outubro, termina com um concurso, que é a III Etapa da Copa Chevaux de Salto. Essa é uma ideia interessante para os alunos colocarem os ensinamentos da Clínica em prática?  

É uma ideia muito legal, até porque eu e o Neco estaremos presentes no concurso. Então será um trabalho completo, com aulas, palestras com veterinários capacitados, com o Hélio Pessoa, que é um armador de percurso que eu tenho muita admiração, tanto como profissional como pela pessoa que é.

Os participantes têm a oportunidade de competir durante 2 dias, com premiação, e acompanhamento meu e do Neco. É uma ótima oportunidade para ver as melhorias de cada aluno da Clínica e nós teremos o prazer de ver essa evolução a curto prazo.

 
Porque é importante trazer essa Clínica para o Brasil, para a formação dos cavaleiros brasileiros e fomento do esporte no Brasil?

Eu acredito muito na equitação no Brasil. Quando nós alinharmos o talento, a capacidade técnica natural do brasileiro, com os conceitos de equitação, que é o que o Neco está fazendo há uns 50, 60 anos na Europa, as pessoas vão ter a oportunidade de viver aqui, o que nós vivemos lá. 

Trazer uma pessoa de 80 anos da Europa para passar esse conhecimento não é uma iniciativa fácil e quem tem oportunidade, gosta de equitação, de cavalos, não pode perder.