08.02.2018

5 perguntas para Silvio Arroyo

Conheça a trajetória no esporte e os planos do novo Diretor de Enduro da CBH para a temporada 2018

Sempre muito envolvido com a direção do esporte no Brasil, Silvio Arroyo assumiu o cargo de Diretor de Enduro da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) no final do ano passado. O paulista, que também já foi Diretor de Enduro da FPH e presidente do Instituto Enduro Brasil, chega ao quadro da CBH com energias renovadas para dar continuidade ao trabalho do ex-diretor Dudu Barreto. 

É hora de contar um pouco da sua trajetória e planos para a temporada que se inicia e promete grandes emoções para os torcedores brasileiros, já que em setembro de 2018 as cores da nossa bandeira vão às trilhas dos Jogos Equestres Mundiais, na Carolina do Norte - EUA. 

 

Como começou seu envolvimento com cavalos e com o Enduro?

Eu crio cavalos desde 1994. Comecei com uma criação de Mangalarga Paulista e fizemos algumas provas de Enduro com esses cavalos. Mas em 2001 uma equipe de Mogi das Cruzes - SP perdeu o patrocínio que tinha e, como eram meus amigos, chamei para levar e treinar os cavalos no Haras Morada do Sol, meu haras em Salesópolis -SP, que deu nome à equipe. 

Nessa época, meu filho, Silvinho, já fazia veterinária e a Karina, minha filha, estava com 13 anos e quis começar a montar. Começou no esporte com uma cruza árabe e naquele ano foi campeã paulista da categoria aberto jovem. A partir dai mudamos a criação para Árabes e Anglo-Árabe e não paramos mais. A Karina foi bronze por equipes Young Rider no Pan de 2005, na Argentina, e no Mundial de 2007, no Bahrein. E o Silvinho trabalha há 8 anos no Catar, em um dos maiores estábulos de Enduro do mundo.

 

Por que o Enduro é um esporte apaixonante?

É a paixão pelo cavalo e a família. Já parou para pensar o tanto que demora uma prova? Quem pratica enduro ama cavalo, não é qualquer um que fica 10 horas em cima de um cavalo.

E é o prazer de estar com a família. Todo mundo se envolve, e a minha família é um exemplo disso. Nós criamos nossos filhos dentro do Enduro e eles continuaram caminhando para dentro do esporte. 

 

Como você vê o cenário do Enduro brasileiro hoje? 

No ano passado tivemos a felicidade de terminar em 5o no Mundial YR, com todos os cavalos do exterior. Mas hoje podemos falar que tivemos uma parada do esporte e estamos precisando dar uma retomada em sua incrementação, precisamos dar uma incentivada no esporte aqui dentro do país.

Quando o Enduro começou no Brasil, em 1989, chegou a ter recorde de prova com mais de 500 participantes, mas eram provas de regularidade. A partir de 1994 começamos a incrementar a velocidade livre, alugar cavalo para fazer provas no exterior, ir à Mundiais e depois competir com cavalos de criação nacional. Em 2010 tivemos a melhor participação do Enduro adulto em Jogos Equestres Mundiais (Kentucky - USA), em que os 4 conjuntos terminaram e nós ficamos em 5o lugar, entre 32 nações. Chegamos nesse patamar.

Dai para frente a modalidade teve algumas oscilações, com uma decaída no número de participantes. Mas o próprio Enduro no resto do mundo também teve crises, falta de patrocínio, diminuiu inclusive o número de provas internacionais.

 

Como Diretor de Enduro da CBH, o que vai ser feito para mudar esse cenário? 

É preciso reestruturar as Federações e voltar a fomentar o esporte. Em Brasília, com o trabalho da Chevaux em parceria com a FHBr, houve um aumento do número de participantes. Mas Rio de Janeiro e Minas Gerais, por exemplo, estão tendo poucas provas. E o Paraná está sem diretoria de Enduro na FPrH. 

Então eu vou continuar o trabalho que vinha sendo feito pelo Dudu Barreto. A CBH vai apoiar as federações para tentar reestruturar as diretorias e fazer pelo menos três provas em cada estado. Vamos focar em Minas, Rio de Janeiro e Paraná, assim como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que têm muito cavalo e tinha enduro até 2012. 

Acho que agora o Brasil está começando a sair da crise financeira e isso ajuda muito, porque a queda do número de participantes teve muito a ver com isso. 

 

Então, quais as maiores expectativas para 2018? 

Os Jogos Equestres Mundiais. Para a escolha da equipe, estamos observando conjuntos brasileiros em provas no Brasil, Uruguai e Europa. E eu sei que temos cavalos e cavaleiros que não formam um time só para terminar prova. Temos uma equipe competitiva e eu tenho o objetivo de, no mínimo, igualar o 5o lugar por equipe dos Jogos Equestres Mundiais de Kentucky.