18.09.2017

5 perguntas para Lucas Toledo Cesar

Conheça o ex-atleta que, hoje, é treinador da equipe brasileira de Horseball

Você conhece o Horseball? A modalidade é, em poucas palavras, uma mistura de rugby, basquete e equitação. Pouco difundida aqui no Brasil, um dos maiores desafios que seus praticantes enfrentam é, justamente, a captação de novos atletas para o esporte.

Hoje nós vamos conhecer a história de Lucas Toledo Cesar, ex-atleta da modalidade e atual técnico da equipe brasileira de Horseball. Apaixonado por cavalos desde cedo, hoje ele dedica 100% do seu tempo aos animais e ao esporte. Saiba como foi a sua trajetória até aqui e o que ele sonha para o desporto hípico.


1. Como começou o seu envolvimento com o cavalo? E com o Horseball?

Eu venho de uma família que sempre foi apaixonada por cavalos, isso já do tempo do meu avô. Alguns primos ficaram no Quarto de Milha, outros foram pro hipismo, e eu comecei, como todos da minha época, montando em fazenda.  Depois de um tempo eu senti que precisava de algo mais. Fui pro hipismo, depois pro rural. Fiz um pouco de Salto e aí conheci e fiquei bastante tempo no Enduro. Quando saí da modalidade comecei uma criação de cavalo árabe. Foi tudo tão apaixonante que eu voltei a saltar, até que entrei para o Horseball, em 2002.

Era uma coisa ainda muito pouco difundida no Brasil - na América, de um modo geral. Um cavaleiro amigo nosso, Paulo Canabrava, tinha ficado muito tempo em Portugal e, quando voltou, trouxe uma bola e as regras do esporte. E aí a gente começou: um grupo de amigos que achava o esporte bacana. Foi muito apaixonante.

2. O que o cavalo significa pra você?

Eu sou jornalista de profissão. Radialista e jornalista. Mas, na verdade, eu nunca consegui esquecer os cavalos. Depois que ganhei um cavalo, quando tinha 3 anos e meio, acabou o mundo. Ele passou a ser voltado para os cavalos. Eu, hoje, aos 51 anos de idade, tenho filhas que já montaram e jogaram horseball, netos que já estão montando. O Horseball e o hipismo, de um modo geral, são o meu dia-a-dia, minha vida e da minha família. Mexer com cavalo é apaixonante. Eu sempre falo que as pessoas vão entrar nessa vida e que não vão mais sair. Isso daqui é uma cachaça.

As vezes não quero mais saber de nada, sabe? “Deixa eu com meus cavalos”. Você fica cada vez mais envolvido. E como você vai desenvolvendo essa relação com o cavalo, o seu entendimento com ele é cada vez melhor. A sua sensibilidade de saber o que está acontecendo, se ele está bem ou se não está... é impressionante como isso fica aguçado em você, sabe? Você olha pros olhos deles e você sabe. É um amor que você cultiva o tempo todo. Eu acho que tem coisas que ainda não são explicadas. É cura, é algo que te joga pra cima, que muda o seu astral, que faz você ser diferente das pessoas que não tem o contato com o cavalo. Por isso que a gente fica chato. A gente só quer conversar com gente que é do cavalo, só quer falar de cavalo, só quer viver no meio de gente que pratica algo com cavalo. É por isso. Porque você está na mesma sintonia.

3. Qual o seu papel dentro da modalidade? 

A gente está nessa luta há bastante tempo. Ao longo desse ciclo eu joguei pela Seleção Brasileira de Horseball em Portugal, depois joguei o Campeonato Internacional de Vigo, na Espanha. Participei do primeiro Campeonato Mundial de Horseball, que também foi feito em Portugal, e como eu já era um dos mais antigos jogadores - um dos mais velhos também -comecei a me dedicar a preparar atletas.

Fui buscar material na Europa pra poder formar essas pessoas. Queria saber como era a formação de um time de Horseball e fiquei ainda mais apaixonado. Acabou que, hoje, só jogo pra brincar ou pra participar de apresentações. Fiquei fora dos campeonatos, porque acabei me aperfeiçoando mais como treinador.  Ganho a minha vida sendo treinador de Horseball. 

Lucas Toledo e Carol Machado

4. Como vê o cenário da modalidade no Brasil e qual o seu sonho para a modalidade?

 Hoje nós estamos passando por um processo que é comum de todas as modalidades que são novas, né? É muito difícil divulgar um esporte num país onde a extensão territorial é enorme como a nossa. O desenvolvimento do esporte tem etapas e nós estamos recomeçando um trabalho. Já temos uma associação de jogadores de Horseball e a modalidade é reconhecida pela FEI, em acordo com a Federação Internacional de Horseball, que continua a reger o esporte mundial, mas aos olhos da FEI.

No Brasil, o maior número de jogadores fica em Tatui, que é o polo da modalidade. Queremos aproveitar instrutores de equitação dentro das hípicas pra trabalhar com o esporte de forma séria e nos ajudar a trazer mais pessoas para o esporte. Tem um campeonato em La Motte, na França, que acontece em praça pública e que dura 10 dias. São mais de 30 jogos por dia só de categorias sub 16. Muito gente participa e para pra ver. Então nosso grande foco é fazer o Horseball crescer dentro das hípicas, como é lá fora, sem que as pessoas tenham medo dele. É um jogo que tem velocidade, mas que é extremamente seguro por causa do grupo de regras que foi estabelecido e porque exige um alto nível de equitação dos seus praticantes.

Seleção Brasileira conquistou o terceiro lugar no Torneio Internacional de Horseball de 2015 sob comando de Lucas Toledo


Seleção feminina de Horseball em Portugal 

5. Qual seria a sua sugestão para quem quer saber mais sobre o esporte ou começar a praticar a modalidade?

Bom, a primeira coisa que eu sempre falo é: procure um lugar onde você tenha certeza que a qualidade dos profissionais que vão te atender é boa. É um esporte que requer atenção e técnica de ensino, então você tem que procurar pessoas que amam aquilo que estão fazendo. Comece sempre pela equitação. Ela é o fundamento para todas as modalidades. É onde você vai aprender a ter postura e a entender o seu cavalo, por isso a base é muito importante. E, por último, procure ler tudo que está ao seu alcance. A leitura é fantástica e as dúvidas ensinam muito, né? Depois disso vai embora. É um universo que vale muito a pena!

Ficou interessado pelo Horseball e quer começar a praticar? Entra em contato com a gente ou mande e-mail para hipicatoledo@gmail.com