14.11.2016

5 perguntas para Eros Spartalis

Conheça os projetos para o Paraenduro em 2017

Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Vice Diretor de Esporte Paraequestre da FPrH, representante da Ande Brasil e endurista. Eros Spartalis também faz parte dos nomes de grandes mobilizadores do Paraenduro no Brasil, país que é pioneiro na introdução desta atividade com viés esportivo para as pessoas com deficiência.

Com o objetivo de fomentar a modalidade, Eros viajou para Portugal em setembro para explicar como funciona a Equoterapia e introduzir o Paraenduro em território europeu. Saiba mais sobre como foi a viagem e quais são os planos para o Paraenduro em 2017

 
Qual a finalidade da viagem? Qual a visão que eles têm do Paraenduro no Brasil?

Nós fomos a Portugal com a finalidade de contribuir com a formação de profissionais das áreas da saúde, educação e equitação em Equoterapia. É a segunda vez consecutiva que a ANDE BRASIL (Associação Nacional de Equoterapia) realiza esse trabalho naquela região, juntamente com a AHPV (Associação Hípica e Psicomotora de Viseu). Hoje, o Brasil é referência na área da Equoterapia.

Como lá ainda não tem Paraenduro, eles têm pouco conhecimento sobre a modalidade. Um dos objetivos do nosso curso é, também, apresentar o Paraenduro como programa da Equoterapia. A ideia é mostrar todo o processo de reabilitação de uma pessoa com deficiência, desde o primeiro programa, a hipoterapia, até chegar no quarto programa, onde introduzimos, também, o Paraenduro.

 


Quais são os obstáculos que dificultam a realização de uma prova em Portugal?

Hoje, o maior obstáculo seria as despesas com passagens aéreas para uma delegação. A Sociedade Agrícola de Rio Frio, que fica próxima a Lisboa, abriu as portas para uma prova internacional, com alojamentos, restaurante, cocheiras para cavalos e pistas prontas, tudo isso dentro de uma fazenda de 5.000 hectares. O local está sendo referência dos Raids – como chamam o Enduro lá em Portugal.

Como eles nunca realizaram uma prova de Paraenduro por não terem experiência no desporto, eles precisam do nosso auxílio e conhecimento pra que aconteça uma primeira competição. Então a questão das passagens é, sim, um obstáculo, pelo alto valor para levar uma equipe brasileira pra lá. Esperamos que, em futuras conversas, possamos realizar esta prova em Portugal


Como é a estrutura? É muito diferente da daqui do Brasil?

A estrutura do local que conheci através da Erica Reis, uma das administradoras do local, fica em Rio Frio e é fantástica. Os enduristas ficam alojados neste lugar, que fica a aproximadamente 30 minutos do aeroporto de Lisboa, o que facilita muito a logística. O terreno é plano, o solo arenoso e sem pedras. Tudo funciona muito bem e é realmente muito bonito. As belas trilhas são percorridas entre parreirais da vinícola do Rio Frio.

A estrutura é feita pensando no esporte e no bem-estar de seus participantes, sejam eles cavalo, cavaleiro ou equipe de apoio. Uma verdadeira referência. Vale a pena conhecer.

Cabe aqui um agradecimento especial a dois grandes amigos que viabilizaram esta visita: Capitão Miguel Ribeiro e o Capitão Ilídio Sarmento Barreiros, ambos da GNR (Guarda Nacional Republicana).






Qual a ideia da parceria? O que pretendem atingir trabalhando juntos?

O vice presidente da FEP (Federação Equestre Portuguesa), em um primeiro momento, ficou surpreso em saber da existência do Paraenduro, por ser uma modalidade inexistente até então na região. Apresentamos algumas ideias e ele ficou entusiasmado. Nós temos a intenção de firmar uma parceria e o objetivo principal é fomentar o esporte, tanto o Paraenduro como o Enduro. Queremos também estreitar os laços entre os países irmãos e até, quem sabe, criar um programa de intercâmbio de cavaleiros. A previsão é tentar, para o ano que vem, realizar uma prova em solo português.


Qual a importância desta viagem e desse contato com a Federação Equestre Portuguesa para o esporte no Brasil?

A Equoterapia ainda está em ascensão por lá. São poucos profissionais para atender a demanda, que é bem grande. No curso que ministramos, damos embasamento teórico e prático, abrangendo desde a parte de manejo, equitação e anatomia equina até os conteúdos onde cada profissional pode atuar. É um curso de carga horária extensa, mas que a ANDE BRASIL realiza há muito tempo, de forma organizada e competente.

 Portanto, este contato com Portugal é muito importante, principalmente em relação ao curso de Equoterapia. Sermos convidados a ministrar cursos no país mostra que o Brasil está ganhando reconhecimento através de seus profissionais e que nossos campeonatos nacionais estão cada dia mais consolidados e fortalecidos. O contato com a FEP abre novos caminhos e novas possibilidades, além de assegurar de que estamos no caminho certo.

 

Conheça o trabalho da ANDE BRASIL.