29.12.2016

5 perguntas para Dudu Barreto

Conheça os planos do novo Diretor de Enduro da CBH para os próximos anos do esporte no Brasil

Apaixonado por cavalos desde criança, endurista há 15 anos, médico veterinário, sócio da Chevaux e engajado na causa do crescimento dos esportes equestres no país, assumiu em 1º de janeiro de 2017, Eduardo Xavier Barreto Júnior, o Dudu Barreto, o cargo de Diretor de Enduro da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH).

Confira nossa conversa sobre os planos para este ano, a gestão na CBH e as expectativas para o novo trabalho:

Como você vê o cenário do Enduro brasileiro hoje e quais são as expectativas e planos para 2017? 

Vejo o Enduro hoje voltando a crescer. É um momento muito bom, em que estados que estavam adormecidos estão passando por um momento de reestruturação do esporte, com diretores das Federações muito engajados em fazer a modalidade retomar o caminho do crescimento. 

O Rio de Janeiro, por exemplo, se organizando melhor, deverá ter boas provas. O Rio é importante para o Enduro brasileiro, foi um dos pioneiros no esporte, tiveram muitos cavaleiros representando o Brasil em campeonatos mundiais. É um estado em que o Enduro sempre teve muita tradição, investindo em organização voltará a ter resultados expressivos novamente. Acredito que cada estado tem que trabalhar internamente o seu esporte, e a minha proposta como diretor de Enduro da CBH é trabalhar muito próximo dos diretores regionais, contribuindo ao máximo para que eles tenham as ferramentas necessárias para fazer o esporte crescer em seus estados. 

 

O que você falaria para convidar as pessoas a se engajarem no fomento do esporte? 

O que eu costumo dizer é que se cada endurista levar um amigo, vamos ter o dobro de participantes, e isso é uma progressão geométrica. É um esporte em que, quem tem a primeira experiência, se apaixona. Por isso, projetos como o Enduro Experience, realizado pela Chevaux em Brasília, são interessantes e vários estados podem implementá-lo, podem buscar parceiros para que isso aconteça.

Em São Paulo, este ano, está havendo o engajamento dos proprietários dos Haras em investir no esporte. Em cada local onde vão acontecer provas FEI, os Haras estão assumindo os custos e a organização junto com o IEB (Instituto Enduro Brasil). não tenho dúvidas que isso é importante e necessário para o esporte, porque a parte financeira no Enduro é um enorme desafio. 

São Paulo e Minas Gerais também estão implantando políticas de fomento, com provas muito convidativas para iniciantes e criadores de outras raças, o que é muito importante para o fomento. Então é isso, o crescimento do esporte depende de todo mundo, desde as federações, os organizadores, incluindo o engajamento dos praticantes... Não tem propaganda mais efetiva do que o “boca a boca”. Se a pessoa tem a experiência de participar de uma prova de Enduro, vai gostar muito, e muitos continuarão na prática deste esporte. É o que temos vivenciado em Brasília e em outros estados.

 

Pode haver conflito entre os interesses do Dudu, sócio da Chevaux, e o Dudu, diretor de Enduro da CBH? 

O intuito da Chevaux, desde o início, foi o fomento e a estruturação do esporte. Quando falamos em fomento, é comum pensar só nas pessoas que estão entrando, mas o fomento do esporte envolve as duas pontas, o profissional e o iniciante. Precisamos cuidar das duas pontas do esporte o tempo inteiro, e esse sempre foi o objetivo da Chevaux. Acredito que, justamente, o trabalho desenvolvido na Chevaux tenha sido um dos principais motivadores para que eu fosse convidado para ser o diretor de Enduro da CBH. Por isso, não acredito em conflito de interesses, mas em convergência de interesses. O objetivo da Chevaux é o crescimento do Esporte, como também o da CBH, e se o interesse e o objetivo são comuns, então não existe conflito. O investimento em uma administração participativa e transparente, baseada em informações claras e tempestivas contribuirão ainda mais para o alcance dos objetivos a serem estabelecidos para o Enduro Equestre no Brasil.

 

Nós sempre falamos em Paraná, Brasília, São Paulo, Rio e Minas. Existe algum projeto para levar o esporte para outros estados?

Um estado que já fez provas importantes no Enduro foi o Mato Grosso do Sul, lá na Fazenda Engenho. Sempre foi uma prova muito esperada, em uma região maravilhosa. O pessoal do Nordeste já nos procurou algumas vezes também, e nós estamos abertos para essas federações. Todas aquelas que quiserem ter o Enduro em suas regiões serão muito bem-vindas, mas entendo que, em um primeiro momento, o foco deva ser o fortalecimento das regiões onde já existe a prática do Esporte, buscando depois o investimento na ampliação para outras regiões.

 

Estaremos muito atentos ao fomento e a estruturação do esporte regionalmente, acredito que a pirâmide precise voltar ao formato correto, com mais iniciantes do que atletas de ponta, mas isto não significa que não é necessário pensar nos atletas de alto rendimento, na formação das Equipes Brasileiras e na busca de bons resultados. O Esporte precisa ser inteiro e gerar motivação para todos os praticantes e investidores.

 

Já sabe como você vai estruturar uma equipe para trabalhar com você? 

Talvez eu seja o diretor de Enduro mais jovem da história da CBH e esse é um cargo de muita responsabilidade, por isso, como já disse anteriormente, o caminho passa por investir em uma gestão participativa, sempre buscando a opinião e sugestão de pessoas experientes e estabelecendo e estimulando o uso de canais de comunicação com a Diretoria de Enduro da CBH. 

 

Como no Brasil o Enduro é muito jovem, temos a oportunidade de ter à nossa disposição os fundadores do esporte no país, que tem muito conhecimento e vem adquirindo experiência na disciplina desde a primeira prova de Enduro aqui realizada. Pessoas que até hoje participam e contribuem muito para o desenvolvimento do Esporte. Já estou conversando com alguns e ainda vou conversar com outros, entre eles estão o Léo Steinbruch, Renato Salvador, Olavo Maciel, Silvio Arroio, Cida Gazola, dentre muitos outros.

A proposta é de, a partir desta interação e ouvindo as sugestões, estabelecer os objetivos, montar a Equipe de trabalho, e apresentar para discussão um Plano de Ação, inicialmente para o biênio 2017/2018, que será acompanhado e permanentemente atualizado, sempre mantendo uma visão mínima para os próximos dois anos que inclua os objetivos, calendários de provas e eventos relevantes, políticas de fomento, Equipe Brasileira, etc.

Pretendo apresentar a proposta de Plano de Ação para a Comunidade do Enduro o quanto antes.